Chico Pedro Mentiroso, é uma das figuras mais lembradas da cidade, por conta do seu estilo único, cômico, improvisador e de seu poder arregimentador de atrair pessoas, por causa dos seus causos verdadeiros, duvidosos e mentirosos! Verdadeiros porque eram extraídos de sua própria essência cômica! Duvidoso, porque todos se perguntavam: Será que é verdade? Mentiroso, porque a cada fim de contos, muitas gargalhadas!!! Sua vida foi assim: Pautada com muito trabalho para sustentar a numerosa família, e mesmo nas lutas, nas dificuldades e obstáculos enfrentados, ele sempre encontrava um tempinho, para fazer os outros sorrirem!
Chico Pedro Mentiroso, como era famosamente conhecido pelos caiopradenses, foi chamado atenção certa vez, por um austero delegado de polícia, que acabara de chegar na cidade. Numa bela noite enluarada, sargento Wilmar (O delegado), observou um grupo de pessoas dando gargalhadas na praça, e no meio, um homem contando estórias, mais ou menos às 21h00min., (para a época era tarde). Perguntou o que era aquilo a um de seus soldados, ao que respondeu-lhe: é o Chico Pedro Mentiroso. -Chico Pedro Mentiroso?-Tem esse aqui? -Tem sim! -Peraí Foi lá e deu as ordens:-Todo mundo pra casa agora!!!
Espalhou-se gente pra todos os lados, ficando no local, apenas o protagonista. -Quem é você? -Francisco Pedro de Souza. -É o Chico Pedro Mentiroso? -É, é, é Sim, siô! -Ah! Então, me conte uma mentira agora! Do contrário, cadêia! Chico Pedro Mentiroso, tirou o chapéu da cabeça, coçou-a, coçou também os e disse:-O Zé Virgínio está à procura do senhor para pagar a licença duma festa que vai acontecer no sábado, ele só paga adiantado! -O Zé Virgínio? -Sim siô! (Zé Virgínio era um conhecido festeiro da cidade).
O delegado olhou para um lado e para o outro coçou os bolsos e perguntou:-Cadê ele? -Foi pra delegacia a procura do siô!-Tenha uma ótima noite seu Chico, depois conversaremos mais, teremos tempo muito obrigado! E se foi à procura do Zé Virgínio Festeiro! Chico Pedro Mentiroso, acendeu um pé-duro (cigarro feito do fumo de rolo), ficou sentado num dos bancos da pracinha, que ficava na direção da Capela de São José; de braços cruzados, assobiando e balançando as pernas! Meia hora depois, só se ouvia o chamado:-Chico Pedro Mentirooooso!!! Ôôô Chico Pedro Mentirooooso!!!-Diiiga sargeeento! -Cheeegue até aquiii! -Pois nããooo! Já vouuu! E foi Chegando próximo ao delegado, ouviu a dura voz:-Cadê o Zé Virgínio Festeiro? -Zé Virgínio Festeeeiro? Sei não, siô! -O quêêêê?!!! Você não saaabe??? -Não siô. Só sei que o siô me pediu uma mentira agora, e intôn-se aconteceu né Sargento?
O delegado Wilmar, ficou dividido entre a raiva e o riso, porém não se aguentou e deu uma tremenda gargalhada e, depois, deu umas palmadinhas no ombro do Chico, quase sem poder falar de tanto rir, e disse: Vá pra casa e durma bem, seu Chico Pedro Mentiroso!!! Por Luiz Everardo Bezerra Lopes.
MAIS UMA DO CHICO PEDRO MENTIROSO:
Enviado por e-mail - José Machado Bezerra (Montão)
Chico Pedro "mentiroso" é ainda hoje em dia, uma das figuras mais lembradas em Caio Prado: -Numa certa manhã de verão, na década de 70, Chico Pedro Mentiroso, foi com o seu comboio de jegues, buscar lenha para os fregueses de Caio Prado. (Era vendedor de lenha).
Ele e os filhos que o ajudavam, estavam caminhando na estrada pras bandas do Riacho da Várzea, (Zona Rural deste Distrito) onde pegaria a lenha. Ouviu-se um barulho e ao verificarem, perceberam que se tratava de um tatu que estava fora do buraco. Pensando em caçar o tatu, Chico Pedro Mentiroso agarrou o bicho pelo rabo, porém, o tatu tentou entrar de volta no buraco! Aí começou aquela luta do tatu querendo sumir pra dentro do buraco e o Chico Pedro agarrado no rabo do tatu! Como percebeu que não ia conseguir trazer o bicho de volta, pediu para um dos filhos, que lhe trouxessem uma jegue para próximo do buraco onde pudesse amarrar o cabresto da jegue no rabo do tatu. A sua idéia era deixar o tatu amarrado enquanto ele buscaria uma enxada para cavar mais à frente do buraco. Feito isso, ele voltou pra pegar a enxada enquanto os filhos catavam lenha.
Ao chegar de volta ao local, percebeu que somente a cangalha com a rabichola, a esteira e os cambitos, estavam do lado de fora do buraco, pois o tatu teria puxado a jegue para dentro! E para atestar que não era mentira, depois de mais ou menos meia légua, Chico Pedro Mentiroso ouviu o relincho da jegue, parou, escutou bem e disse: a jumentinha tá aqui! Pegou a enxada e começou a cavar um buraco! Cavou e cavou bastante até encontrar a jegue! Depois de encontrar a coitadinha chão abaixo, com muito esforço pegou no cabresto da jumentinha e retirou-a! Ela estava cansada, empoeirada, e com uma mordida na orelha esquerda que estava banhada de sangue! -E o tatu? Êiê... esse até hoje, se encontra com destino ignorado!! Com certeza a luta da jegue com o dito tatu, deve ter sido acirrada lá dentro do buraco!!!
Causos de Caio Prado. Enviado por email, pelo conterrâneo José Machado Bezerra ( o Monte Bezerra). Valeu Montão!! -Dessa eu não lembrava mais! Chico Pedro Mentiroso realmente era um mito caiopradense!!
No dia 24 de dezembro de 2010, fez exatamente 40 anos que o Sr. Raimundo Freitas Barbosa, tem residência fixa aqui em Caio Prado. Na bela manhã do dia 24 de dezembro do ano de 1970, chegavam de mala e cuia, oriúndos da localidade do Poço Comprido, mais precisamente da Fazenda Vitória, no município de Quixadá-CE. Agricultor, padeiro, caipireiro(banqueiro dos jogos de dados) e mascate.
Escolheu essa terrinha para morar! Inicialmente, o meio de sobrevivência encontrado, foi o de comprar e vender, se dedicando em vendas de carne de ovinos e caprinos. Seu Raimundo era o vendedor ambulante mais conhecido dessa região. Sempre as sextas-feira, pegava o trem das 3 da tarde e viajava para Fortaleza. Lá, vendia carne e com o apurado, comprava fumo de rolo e trazia para vender na zona rural.
O nagócio começou a render-lhe alguma coisa No ano de 1975 comprou uma Rural, (carro muito usado na época). Como não sabia dirigir, convidou o motorista Manoel Traíra, para lhe ensinar. Manel Traíra, orientou-lhe a irem ao campo de futebol e lá deu-lhe algumas instruções. Seu Raimundo aprendeu alguma coisa Segundo ele mesmo falou, numa bela tarde de domingo, bateu um desejo enorme de dá umas voltinhas na rural e se perguntou: Será se já dar pra ir?
-Pegou a chave, foi na cozinha, pegou a caneca e tibungou dentro do pote, bebeu duas canecadas dágua, temperou a garganta, com o famoso ahã, entrou na rural e se foi enquanto dirigia, só se ouvia o alvorôço: Ô Joãozim!!! José!!! Maria!!! Chiquim!!! .Pra dentro! Era as mamães preocupadas com os filhos, afinal de contas, o mais novo motorista estava rua acima e rua abaixo, passeando em sua rural de repente, seu Raimundo, precisa parar o carro para atender a um chamado de sua esposa, d. Pedrina Estêvão, ela fazia sinal com as mãos, pedindo pra ele parar. Quem disse que seu Raimundo sabia parar a rural?
Acelerava, o palmo de fumaça subia, buzinava, gaguejava, ficou nervoso, (imaginava que o chamado era pra receber algum dinheiro de alguém que lhe devia). Passava em frente e gritava de dentro da rural: Vol, vol, volto Já! (Ele é gago). Tornava a passar em frente e só se ouvia o eco: Vol, vol, volto jááááááá!!! O grande problema era que ele não sabia como parar Na época, o Rio Choró, estava com um pouquinho de água corrente e muita areia, ele imaginou: Vou meter a Rural dentro do rio, atolo até o eixo e assim esse diacho tem que parar!!!
Assim fez, meteu a rural lá, e atolou até o eixo. A primeira coisa que pensou quando desceu, foi no chamado de d. Pedrina, ele imaginava que era dinheiro à receber Dinheiro que nada! Era um boato que corria de boca em boca, nas ruas de Caio Prado, que havia chegado uma filha sua (fora do casamento) e estava na cidade à sua procura e o assunto era dinheiro!!! D. Pedrina, estava nervosa e valente, inclusive, havia tomado até uma cana (dose de cachaça), pra conversar baixinho com o seu Raimundo e resolver de vez esse probleminha! Fonte: Raimundo Freitas e Bodinho. -Por: Luiz Everardo B. Lopes.
Havia um homem que se chamava Cordolino Ferreira das Neves, morava na localidade de Juá, próximo ao distrito de Caio Prado. Era um sertanejo disparatado que jamais silenciava qualquer inconveniência familiar, tudo que se passava com sua família, na casa dele, ele participava aos seus amigos mais íntimos, inclusive ao meu bisavô, Joaquim Bezerra, de quem era muito amigo!
Certa vez, uma filha sua de nome Beata, de mais ou menos 15 anos de idade, foi numa detrminada noite, ao quintal de sua casa, fazer suas necessidades fisiológicas, e ao acocorar-se foi de encontro a um toco de mata-pasto, e lhe furou a vagina que sangrava bastante.
A moça entra em casa e mostra a mãe dela o ocorrido. Cordolino, seu pai, que tinha a fama de homem rezador, sustou o sangramento com uma 'forte' reza! No dia seguinte, logo muito cedo, lá se vai Cordolino à residência de meu bisavô, compartilhar o acontecimento.
Lá chegando, disse: Bom dia Zaquim Bizerra? -Bom dia Cordolino! -Zaquim Bizerra, essa noite, lá im casa ia se dando uma dirgraça! -Vixe Maria! O que aconteceu Cordolino? -É qui minha fía, a Biata num sabe? -Sei sim, continue!
-A bixinha foi mijar por detraz da casa no inscuro, arriou as calça e quando se abaixô foi mêrmo inríba d'um toco de mata-pasto, sabe o qui aconteceu? -Não, o que foi? -Ora, Zaquim, ela furô o "ZÉ DE ORÉU"!!
Meu bisavô, deu uma gargalhada bem gostosa e disse: Ainda tem esse? Mais ô bixim prá ter apelido!!!.
Causo do Tí Nêgo Bezerra da Rocha. (Contada no alpendre da Casa do Tio Luiz Bezerra, na década de 80). Por Everardo Bezerra
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